Lambaris barriga de aluguel


Técnica reproduz peixes em extinção através de 'barriga de aluguel' em SP

Lambaris foram os primeiros peixes nascidos no Brasil com a pesquisa.
Objetivo é criar banco genético das espécies raras em Pirassunun 

Lambaris foram os primeiros peixes reproduzidos em barriga de aluguel em Pirassununga (Foto: Wilson Aiello/EPTV)

Técnica

Primeiro os pesquisadores misturam óvulos e espermatozóides de peixes adultos. Em pouco tempo aparecem pequenos ovos e, antes do peixe nascer,  são injetadas células embrionárias de outra espécie, que ficam guardadas nele a vida toda.
Outra opção é injetar no peixe já crescido, um tipo de inseminação artificial. "Penso em envolver o esforço de mais de 15 pesquisadores, mais de R$ 4,5 milhões e cinco anos de pesquisa nesta área", afirmou Yasui.
Peixes em extinção
O que faz dessa conquista tão importante para os pesquisadores é que esse processo pode ajudar a salvar peixes ameaçados de extinção. Os lambaris foram reproduzidos em laboratório pela técnica e, na fase adulta, eles vão gerar filhotes de outro tipo de peixe. Nesse caso, a piracanjuba, espécie já ameaçada.
A mesma técnica vai ser usada pra reproduzir outras espécies que vão ser soltas na natureza. O bagre sapo, por exemplo, já começou a desaparecer em várias regiões do país, mas no laboratório ele vai poder nascer da barriga de um mandi, que se reproduz mais fácil.
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Pesquisadores misturam óvulos e espermatozóides de peixes adultos em Pirassununga (Foto: Wilson Aiello/EPTV)

Atualmente no Brasil existem quase 300 espécies de peixes ameaçadas de extinção. "Uma espécie como a piracanjuba demora três anos para a primeira maturação gonadal e é um peixe raro e ameaçado. A gente conseguindo fazer um implante dela em uma espécie receptora como o lambari. O lambari com quatro meses de idade atinge a primeira maturação e desova quatro a cinco vezes em um ano. No mesmo tempo nasce muito mais peixe e tem um risco de a gente não perder as espécies parentais, ou seja, os reprodutores ameaçados de piracanjuba", disse o biólogo e coordenador do Cepta José Augusto Senhorini.
Este processo já é feito em países como Japão, Estados Unidos e República Tcheca, mas no Brasil vai tem um valor ainda maior. "O banco genético do Cepta é o maior da América Latina. Nós estamos com mais de 60 espécies em cativeiro funcionando como uma poupança genética, se faltar no ambiente, nós temos aqui para repor, fazer o processo reprodutivo e repor no ambiente natural", explicou Senhorini.

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