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CADÊ O BASS QUE ESTAVA AQUI?




Matéria escrita pelo guia profissional Braguinha para o site Pesca e Cia . Reproduzido aqui na íntegra.
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Braguinha conta suas experiências e trás as melhores dicas para e técnicas desenvolvidas para o pescador de black bass




Nos últimos meses ouço inúmeros pescadores dizerem que o black bass está sumindo das represas de São Paulo, em especial nas do Sistema Cantareira. Assim como os tucunarés-açus, que têm a sua pescaria mais farta em uma determinada época, o mesmo acontece com o bass. Porém, aqui existe um diferencial, que são os amplos conhecimentos sobre a espécie, equipamentos e técnicas desenvolvidas, um recurso que certamente possibilita a sua captura mesmo em situações adversas e nas quais estaríamos fadados ao fracasso.

Pensando nisso, resolvi escrever neste artigo um pouco da minha experiência que obtive nos mais de 20 anos como guia da espécie. Vou contar como o bass se comporta, teoricamente, durante o ano todo, dividindo em períodos e não em estações do ano, pois elas não são bem definidas aqui no Brasil.

Épocas

Dezembro a abril: pós-desova
Nesses meses é normal capturarmos peixes menores, um pouco abaixo do padrão. Se fizermos uma pescaria para exemplares maiores, adultos que já desovaram uma vez, fisgar cinco a dez exemplares é normal.

Caso os alvos sejam os juvenis, que ainda estão no frenesi de comer e comer, sempre em cardumes, pode-se aumentar essa cota em até cerca de cinco vezes. Basta afinar as técnicas compatíveis com o tamanho dos peixes.

Fêmeas e machos estão sem padrão. As fêmeas, debilitadas pelo esforço de até quatro desovas, comem pouco e coisas pequenas, ficando na meia-água ou locais fundos. Entre os machos, alguns ainda defendem a prole, mas de uma maneira geral se alimentam na maioria das vezes pela manhã ou à tarde, com exceção dos dias ensolarados em que ele gasta mais a sua energia no final da tarde e à noite.

Maio a agosto: argolas à vista

Termo usado pelos pescadores do Sul quando não se pesca nada, representa o que costuma acontecer nessa época. Agora conhecemos quem realmente gosta do desafio de matar a charada para a captura do bass. Definitivamente não aconselho ninguém começar a pescar a espécie nessa época.

Essa é uma época de transição, em que os peixes estão na meia- água e no meio do caminho para os locais mais profundos.

Dependendo do porte, eles nadam encardumados à procura de alimento, locais para se abrigar e uma boa zona de conforto em relação à temperatura e à qualidade da água.

Julho e agosto são os meses em que mais gosto de pescar no Sudeste. Por isso, ressalto, para quem não conhece o peixe, que em São Paulo ainda tem muito bass. O que falta são pescadores empenhados com conhecimento, técnicas e que saibam interpretar uma sonda, aparelho que vai ser o braço direito para vencer qualquer obstáculo.

Quem já pescou comigo sabe que nessa época fazer pescarias de 30 a 50 basses em um só dia de pesca em três pescadores é possível. O porte deles está na faixa de 28 a 35 cm, sendo raros os basses capturados acima de 40 cm.

O bom pescador deverá sair de casa com a estratégia pronta e ainda se assegurar com um plano B para qualquer mudança. Só mude de tática se tiver histórico de bons resultados em outros lugares.

Teste para o equipamento
Os basses estarão na profundidade máxima que um basszeiro costuma pescar aqui no Brasil e é neste momento que as tralhas e o pescador são exigidos ao máximo.

Em relação aos materiais, no Brasil existia o conceito entre os pescadores mais antigos de que quem estivesse usando molinete era iniciante. Por volta de 2005, os molinetes foram sendo aperfeiçoados e desde então já não vejo um bom pescador de bass sem tê-los para a prática do finesse. Vale ressaltar que só molinetes nos dias de hoje já compõem mais de 70% da tralha.

Modalidades:

Split shot
Uso varas bem longas, entre 6´6´´ a 6´9´´, de 5 a 14 lb para facilitar o arremesso e a fisgada. A linha é de fluorcarbono de 4,5 ou 5 lb e pernada de no máximo 6 lb de 40 a 60 cm de comprimento. O peso de tungstênio vai de 2 a 3,5 g.

Down shot
Normalmente utilizo um modelo para linhas de 5 a 17 lb, quando pesco a até cinco metros de profundidade, e outro de 3 a 10 lb, para pescarias de 6 a 12 m. O comprimento das duas pode variar de 6´3´´ a 6´6´´ pés.
Na primeira opção uso linha de 6 lb com peso de tungstênio de 1,8 a 5 g e para a segunda 5 lb e peso de 3,5 a 7 g.
A pernada entre o anzol vai variar de 30 a 60 cm.

Jig head
Gosto de caniços de 6 a 12 lb e 6´3´´ a 6´6´´. A linha vai ser de fluorcarbono de 4,5 ou 5 lb e peso de tungstênio de 3 a 4 g

Setembro a dezembro 

O nono mês do ano é, na minha opinião, a melhor época para quem quer se iniciar na pesca dessa espécie, guardadas as devidas proporções com referência ao clima e à temperatura da água.

Nessa época, os basses encostam-se às margens para fazer os seus ninhos e desovar, tornando assim uma presa fácil, pois eles atacam qualquer coisa que se aproxime do seu ninho ou da sua prole. Por isso não podemos demorar muito para fisgar o peixe, evitando que ele engula o anzol. O praticante que zela pela espécie deverá ter em mãos alicates, pinça e o hook disgorger para remover ou até cortar o anzol, para assim devolvê-lo ao seu habitat o mais rápido possível e evitar que outras espécies comam sua prole.

Represas 

Quem pesca esse peixe e há décadas acompanha a sua pescaria e as variações do nível da represa, sabe que esse peixe é de tal sensibilidade que a qualidade da água junto com a introdução de novas espécies no mesmo ecossistema é um fator de mudanças radicais no comportamento, locais e suas atividades.

Jacareí/Jaguari
Por muitos anos a sua capacidade de armazenamento de água esteve no nível mínimo. De três anos para cá, opera no máximo, mais de 12 m a mais do que era antes. Isso mudou o comportamento dos peixes e encheu de vida o local, aumentando a população de outras espécies da cadeia alimentar do bass.

Falando na espécie, a represa sofreu um declínio grande na população devido à pesca predatória entre 2003 a 2006. Para piorar, em 2005 tivemos vazamento de algum produto químico na água que causou a morte de milhares de peixes. Os basses que sobraram, com certeza, são muito mais espertos e vivem em lugares mais profundos que o normal.

Em profundidades superiores a 10 m+ a água deve estar melhor e com um cardápio farto de alevinos de espécies como jacundás, lambaris e tilápias. É evidente que a dificuldade de capturá-los com as mesmas técnicas que usamos nas outras represas desse sistema é normal, e não temos o que fazer sem amargar algum tempo de espera para que as espécies por si sós se equilibrem.

Quem pescou de 1998 a 2005 deve-se lembrar da grande quantidade de exemplares que existiam lá. Resta a todos que gostam da espécie ficar na torcida para que ela volte a ser o que era entre 2002 a 2005, quando qualquer pescador capturava de 20 a 50 basses na faixa de 40 cm.

Piracaia
É a que menos sofre a pressão dos pescadores pela sua localização, por não existir rampa pavimentada e de fácil acesso, casas ou marinas em sua margem.

O que atrapalha a vida dos basses são pescadores que usam redes e arpões, especialmente na época de reprodução da espécie, quando as grandes fêmeas estão nos ninhos.

Apesar de ser a represa com a maior população de bass, sofre com a introdução dos terríveis jacundás vindos pelos canais de ligação que recebem as águas da Jacareí/Jaguari.

Atibainha
Minha vida como guia começou nessa represa. No meio da década de 1980 não encontrávamos nenhum material didático que nos ajudasse a nos iniciar nessa pesca. Não tínhamos a facilidade de hoje para aprender as novas técnicas que temos com a internet ou reportagens como as publicadas na Pesca & Companhia.

Sem essas facilidades, comprava iscas, equipamentos e testava todos os locais, aprendendo entre erros e acertos. Por sinal, naqueles tempos, tínhamos muitos basses nas represas, mas poucos pescadores para fisgá-los.

Em 1999 chegava por aqui um conceito trazido pelos dekasseguis que pescavam a espécie no Japão. Era um finesse diferente do que estávamos acostumados a pescá-los por aqui. Apesar de todas as melhorias, só faltou as varas adequadas para essas modalidades, pois o que chegava aqui era o encontrado no mercado americano, bem mais parrudo e pesado.

A partir desse momento veio o wacky no estilo japonês, a suspending com as tricky worms da Zoom, que nada mais é que o no sinker. Em 2000, o grande divisor de águas, o sown shot e a linha fluorcarbono (já era a BMS da Sunline). Três anos mais tarde jig wacky chegou e no ano seguinte o Neko. Em 2005 o Midosto (Zurubiki) e mais algumas modalidades que ainda não mostraram tanta eficiência como essas já citadas.

Competição dentro d´água
Por volta de 1998 foram introduzidos os tucunarés-azuis e amarelos em Atibainha, aparecendo entre 1999 e 2002 em boa quantidade durante a pescaria.

De 1999 a 2003 era sentida uma decadência da população dos basses similar à da represa Jacareí/Jaguari. Em minha opinião, foi nesse momento que as piranhas começaram a se reproduzir tranquilas, pois não existia uma boa população de basses que as controlasse e os tucunarés ainda eram pequenos para combatê-las e manter o equilíbrio entre essas espécies.

De 2004 para cá muita coisa vem piorando gradativamente e a tendência é a quase exterminação dos basses e o aumento dos tucunarés, traíras e piranhas.

Por tudo isso, uma solução paliativa é torcer para que os tucunarés se reproduzam nos próximos anos e aos poucos ajudem a diminuir a população das piranhas juvenis, pois, para quem não sabe, eles são os maiores predadores das piranhas depois dos jacarés.

Um ponto final

Espero ter mostrado aos “basseiros” que esse peixe tem inúmeras variáveis na sua pesca. Para quem nunca pescou a espécie, e não tem a obrigação de entender o que estou falando, este é o grande motivo de um autêntico pescador de bass nunca desistir só porque fez uma má pescaria naquele dia. É justamente quando tentamos entender onde erramos que aprendemos mais e ficamos cada vez mais confiantes para o próximo desafio.

Fonte: revistapescaecompanhia.uol.com.br

Bom de Pesca - Pescaria de Black Bass - 24/12/2011

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O MELHOR NÓ PARA LIDER

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Porque as Iscas Artificiais Funcionam !




(Matéria publicada no Jornal Pesca Brasil em 08/2010) 
 


Vista do barco, a superfície tranqüila e espelhada da lagoa, esconde a selvagem luta pela vida, que acontece sob suas águas. 

 
Ali num delicado equilíbrio natural, convivem presas e predadores, sob as leis da sobrevivência. 
Diariamente, predadores alimentam-se de peixes forrageiros, que tem na agilidade sua melhor defesa. 
Se de um lado os predadores estão sempre a espreita de uma refeição mais fácil, de outro lado os forrageiros mantém vigília constante para não virar a próxima refeição. 
A escolha recai sempre sobre aqueles que apresentam o comportamento mais debilitado. 
E assim segue o delicado equilíbrio pela sobrevivência. 
Se por um acaso, você resolver devolver a estas águas um peixe fisgado, é muito grande a probabilidade que ele venha a integrar o cardápio de algum predador. 
Mas espere, como pode ser isto, se ainda a pouco este mesmo peixe estava nadando neste local sem ser importunado pelos outros peixes? 
A explicação é simples. 
Ao ser fisgado o seu peixe lutou com todas as forças, pela própria vida, chegando próximo da exaustão, isto sem contar o stress do pavor. 
Assim ao ser devolvido as águas, ainda em estado de choque, ele é imediatamente identificado como uma refeição fácil. 
E daí a ser devorado, é um passo. 
A esta altura você já entendeu que este é o principio básico da isca artificial. 
O nado errático das artificiais, tem a exata finalidade de imitar um peixe com problemas, o que na linguagem dos peixes quer dizer uma refeição fácil. 
Baseado neste simples conceito, criou-se uma imensa indústria ao redor do mundo. 
E também uma gigantesca legião de pescadores esportivos, com um apetite insaciável por novidades. 
Apesar de os japoneses terem elevado a qualidade das iscas artificiais ao extremo da perfeição, a tal ponto que dá para quase montar um aquário com elas, ainda não ficou claro se realmente o acabamento faz tanta diferença para o peixe. 
 
Pois iscas com acabamento bastante simples, muitas vezes tem apresentado resultados superiores. 
Um bom exemplo são as heddon spock jr, que tem o formato de uma cápsula com dois olhos e mais nada, e no entanto estão entre as melhores iscas de superfície. 
 
Tem também a lampejinho da Moro & deconto, que apresenta ótimos resultados na categoria de meia agua. 
 
Claro que as japonesas também apresentam excelentes resultados. 
Mas a questão principal, a meu ver, não esta no acabamento e sim na apresentação. 
As iscas que conseguem transmitir ao predador, de forma mais eficaz, que são uma refeição fácil, são as que tem maior sucesso. 
E não as que necessariamente são mais bonitas. 
Desta forma, cabe ao pescador preocupar-se em dar vida a sua isca, para obter os resultados desejados. 
Neste momento é preciso pensar como um peixe, conhecer os hábitos do predador, e colocar-se no seu lugar. 
Não adianta ficar jogando a sua isca em qualquer lugar, predadores não costumam ficar a espreita em locais abertos, logo galhadas, pedras e troncos passam a ter a preferência. 
Se houver uma corrente ou maré no local, provavelmente os predadores estarão nas áreas de remanso, as espreitas do que a corrente lhes trará. 
Então pinchar um pouco antes e deixar a corrente levar a isca até o local, é uma decisão acertada. 
E precisa dar vida à isca. 
Peixes não são burros, eles vêem paus e folhas passarem boiando o dia inteiro, e sabem diferenciar muito bem um objeto de uma possível refeição. 
Não vão perder tempo, nem despender esforço se não tiverem certeza que é comestível. 
Cada isca precisa ser trabalhada à perfeição, porém isto precisa ser feito, antes da pescaria. 
Primeiro treine e muito, com cada isca que irá levar. 
Só assim, conhecendo o potencial de cada isca, você poderá realmente realizar grandes pescarias. 
Imagine que a sua caixa de pesca é uma caixa de ferramentas, e cada isca uma ferramenta, cuja finalidade é ajuda-lo a resolver um problema, no caso capturar um peixe. 
Como a captura do peixe varia conforme as condições de cada dia, maré, clima, luminosidade, transparência da água, você precisa da ferramenta (isca) certa para resolver o problema. 
Então conhecer a finalidade de cada ferramenta (isca) a fundo, é essencial para a solução do problema. 
As horas da pescaria, são nobres, e devem ser aproveitadas ao máximo. 
Ficar pinchando um monte de iscas diferentes, nas horas nobres, é o mesmo que jogar na loteria. 
Já notou como pescadores que pescam com maior assiduidade, pegam mais ? 
É porque eles se adestraram na continuidade das pescarias. 
A prática contínua, propicia o timing mais correto no manejo da vara, que por sua vez irá produzir o movimento mais real na isca. 
É tudo uma questão de treino, treino e mais treino. 
Estando na cidade, pode-se treinar em lagos de parques, piscinas de condomínios, etc. 
Procure conhecer cada modalidade de isca. 
O trabalho de um stick é bem diferente de uma meia água. 
E também existem vários tipos de sticks, cada um com o seu próprio trabalho. 
 

Os sticks mais curtos e gordos tem um trabalho bem diferente daqueles compridos e finos como uma caneta. 
Os primeiros são muito bons para causar comoção na superfície, já os segundos, por sua forma afilada, prestam-se muito bem a um trabalho adicional de sub-superfície também. 
 
Nas iscas de meia água, temos as que flutuam com rapidez, as mais lentas, as suspending que ficam paradas na meia água, etc. 
Cada uma requer o seu próprio trabalho, e aqui cabe ressaltar a questão da apresentação da isca. 
Alguns fabricantes conseguiram produzir iscas que respondem melhor aos movimentos da vara, do que outras. 
Porém mesmo assim, é preciso treinar para obter o máximo da isca. 
Um bom exemplo é a cristal minnow da yo-zury, no tamanho sete, usada na pesca do robalo. 
Com treino, pode-se torna-la o engodo perfeito para aqueles dias que o robalo está um pouco mais ativo, porém fica na zona da meia água. 
Conheço pescadores que só usam esta isca, com grande sucesso. 
Mas veja bem, precisa treinar. 
O mundo da pesca com iscas artificiais é fabuloso. 
Existem centenas de macetes, dicas, truques, estratégias, que fazem de cada pescaria, uma aventura totalmente nova e diferente. 
No dicionário do pescador esportivo não existe a palavra rotina. 
Ele esta sempre experimentando alguma técnica nova, ou aperfeiçoando técnicas já conhecidas. 
Não conheço, e duvido que exista um só pescador esportivo que acredite que já atingiu o topo do conhecimento. 
Não tem um que seja tolo, a ponto de fazer tal afirmação. 
Quando o cidadão começa a achar que é o bom, vem aquela pescaria falhada, e derruba tudo. 
Outra mudança que acontece também, é na mentalidade do pescador. 
Na pesca esportiva, a captura do peixe, representa a vitória da estratégia adotada, e é isto o que proporciona maior prazer ao pescador, então o retorno do peixe vivo à água passa a ser uma coisa lógica, pois irá proporcionar novas capturas, que irão proporcionar prazer novamente, alimentando assim, um círculo vicioso de boas práticas. 
Também é comum o pescador esportivo acabar tornando-se um defensor ambiental dos mais ferrenhos, pois a preservação do meio ambiente, está intimamente ligada ao sucesso da pesca esportiva. 
E pensar que tudo começou, quando um humilde pescador, percebeu que podia pescar seus peixinhos com um pedaço de pau talhado a canivete.....